E o amor? O
amor passou, correu, morreu, voltou, cansou, doeu, chegou, partiu, sumiu,
quebrou, tocou, sentiu, ouviu, falou. Só não mentiu. O A mor amou. Não existiu.
‘Eu escolho
viver, não sobreviver.’
Um dia desses
conversei com as estrelas do meu teto, elas disseram que tudo dará certo. Só
não disseram quando. E eu vou sofrer? Vou nada, sofrer não ajuda. Quem controla
o meu riso sou eu, eu sou o poder da escolha, e eu escolho sorrir, eu escolho a
terapia do riso, das cócegas. Não há nada de morto em mim, a não ser células
que irão ser repostas. Sou um renascer a cada dia, bela ou não, chata ou não,
eu nasço em cada por do sol, e morro também.
Esqueço-me
das minhas várias mortes e me concentro na vida, vida de dor até, mas muito
feliz. Porque acredito em mim e no meu coração queimado, que bate
insistentemente querendo dizer algo pro mundo ouvir, volta e meia grita sem a
minha permissão, grita uns ‘te amo’ pra tantas coisas banais... Tem um instinto
de amar quase tudo, sem motivo, sem objetivo, apenas ama. É, ele também bate sem permissão. Me faz falar
sem voz: sob o olhar e o riso, volta e outra mete as sobrancelhas no papo, ou
um abraço. Bem bobo, não? Vivo de bobeira então, me faz sorrir uma vez mais,
antes disso tudo acabar. Viver, viver, viver. Doer, doer, doer. Crescer.
Sentir, sorrir. (=